quarta-feira, setembro 10, 2014



MEDITAÇÃO

Pensamos de Mais e Sentimos de Menos
Queremos todos ajudar-nos uns aos outros. Os seres humanos são assim. Queremos viver a felicidade dos outros e não a nossa infelicidade. Não queremos odiar nem desprezar ninguém. Neste mundo há lugar para toda a gente. E a boa terra é rica e pode prover às necessidades de todos.

O caminho da vida pode ser livre e belo, mas desviámo-nos do caminho. A estupidez envenenou a alma humana, ergueu no mundo barreiras de ódio, fez-nos marchar a passo de ganso para a desgraça e a carnificina.
Descobrimos a velocidade, mas prendemo-nos demasiado a ela. A máquina que produz a abundância empobreceu-nos.

A nossa ciência tornou-nos cínicos; a nossa inteligência, cruéis e impiedosos. Pensamos de mais e sentimos de menos. Precisamos mais de humanidade que de máquinas. Se temos necessidade de inteligência, temos ainda mais necessidade de bondade e doçura. Sem estas qualidades, a vida será violenta e tudo estará perdido.

O avião e a rádio aproximaram-nos. A própria natureza destes inventos é um apelo à fraternidade universal, à união de todos.

Neste momento, a minha voz alcança milhões de pessoas através do mundo, milhões de homens sem esperança, de mulheres, de crianças, vítimas dum sistema que leva os homens a torturar e a prender pessoas inocentes.

Àqueles que podem ouvir-me, digo: Não desesperem. A desgraça que nos oprime não provém senão da estupidez, do azedume dos homens que têm receio de ver a humanidade progredir. O ódio dos homens há-de passar, e os ditadores morrem, e o poder que tiraram ao povo, o povo retomá-lo-à. Enquanto os homens morrerem, a liberdade não perecerá. Charles Chaplin,


“Convido-te a voar comigo, este primeiro vôo onde as perspectivas de um futuro melhor fazem-se presente, através de metodologias onde os encontros, desencontros e reencontros nos levam a ressignicar nossa caminhada de vida”.

  LMC




A Falta de Cultura Ética da Nossa Civilização

Creio que o exagero da atitude puramente intelectual, orientando, muitas vezes, a nossa educação, em ordem exclusiva ao real e à prática, contribuiu para pôr em perigo os valores éticos. Não penso propriamente nos perigos que o progresso técnico trouxe directamente aos homens, mas antes no excesso e confusão de considerações humanas recíprocas, assentes num pensamento essencialmente orientado pelos interesses práticos que vem embotando as relações humanas. 

O aperfeiçoamento moral e estético é um objectivo a que a arte, mais do que a ciência, deve dedicar os seus esforços. É certo que a compreensão do próximo é de grande importância. Essa compreensão, porém, só pode ser fecunda quando acompanhada do sentimento de que é preciso saber compartilhar a alegria e a dor. Cultivar estes importantes motores de acção é o que compete à religião, depois de libertada da superstição. Nesse sentido, a religião toma um papel importante na educação, papel este que só em casos raros e pouco sistematicamente se tem tomado em consideração. 

O terrível problema magno da situação política mundial é devido em grande parte àquela falta da nossa civilização. Sem «cultura ética» , não há salvação para os homens.  Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo' LMC


Vencer o Mundo da Vida Banal
De início creio, como Schopenhauer, que um dos motivos mais fortes conduzindo à arte e à ciência é o desejo de evasão da existência terra a terra com a sua aspereza dolorosa e o seu desolado vazio, de libertação das peias dos próprios desejos eternamente volúveis. 

É uma força impelindo os que a ela são sensíveis a sair da existência pessoal para o mundo da contemplação e da compreensão objectiva; esse motivo é semelhante à atracção, que leva o habitante da cidade irresistivelmente a sair do seu ambiente barulhento e confuso e procurar a paisagem calma dos altos montes, onde o olhar se espraia pelo ar tranquilo e puro e acaricia as linhas calmas, que parecem ter sido criadas para a eternidade. 

A esse motivo negativo, porém, alia-se outro positivo. O homem procura formar para si, de qualquer modo adequado, uma imagem simples e clara do Mundo e vencer assim o mundo da vida banal tentando substituí-lo, até certo grau, por essa mesma imagem. É o que faz o pintor, o poeta, o filósofo especulativo e o cientista da natureza, cada um à sua maneira. 

É dessa imagem e da sua conformação que ele faz o centro da sua vida afectiva, para procurar aquela tranquilidade e segurança que não consegue encontrar no turbilhão demasiado estreito da experiência pessoal. Albert Einstein, in 'Como Vejo o Mundo' LMC

segunda-feira, junho 30, 2014



Para reflectirmos:

A salvação é presente de Deus e não mérito nosso!
"Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é presente de Deus" (Efésios 2.8)

Acredito que a Palavra da Bíblia citada acima é um desafio enorme para os nossos tempos. Meditemos com sinceridade sobre ela.
Todos nós, se formos sinceros connosco mesmos, sabemos que nada temos e nada fazemos para merecer a misericórdia, o perdão e a salvação de Deus.

Falhamos e pecamos diariamente contra a Sua palavra, não amamos a Deus e nem confiamos nele acima de todas as coisas. Também não conseguimos amar o nosso próximo como a nós mesmos. Mas esta realidade não deve fazer-nos desesperar. Pelo contrário, o reconhecimento da nossa situação deve levar-nos de volta à comunhão com Deus, à confiança no seu amor para connosco e à aceitação do perdão que Ele nos oferece por meio de Seu filho Jesus. Tudo isso está a nossa disposição. É a grande oferta, um enorme presente de Deus. E podemos tomar conta disso tudo por meio da fé em Cristo. Isto é o que chamamos de "graça de Deus".


O humilde conhecimento de ti mesmo é um caminho mais certo para Deus do que as profundas pesquisas da ciência. Não é reprovável a ciência ou qualquer outro conhecimento das coisas, pois é boa em si e ordenada por Deus; porém, devemos preferir-lhe sempre a boa consciência e a vida virtuosa. Muitos, porém, estudam mais para saber do que para bem viver; por isso, erram muitas vezes e pouco ou nenhum fruto colhem. LMC

quarta-feira, maio 28, 2014



A CARIDADE NA VERDADE

"A caridade na verdade coloca o homem perante a admirável experiência do dom. A gratuidade está presente na sua vida sob múltiplas formas, que frequentemente lhe passam despercebidas por causa duma visão meramente produtiva e utilarista da existência. O ser humano está feito para o dom, que exprime e realiza a sua dimensão de transcendência. Por vezes o homem moderno convence-se, erroneamente, de que é o único autor de si mesmo, da sua vida e da sociedade. Trata-se de uma presunção, resultante do encerramento egoísta em si mesmo, que provém — se queremos exprimi-lo em termos de fé — do pecado das origens. Na sua sabedoria, a Igreja sempre propôs que se tivesse em conta o pecado original mesmo na interpretação dos fenómenos sociais e na construção da sociedade.

 « Ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada para o mal, dá lugar a graves erros no domínio da educação, da política, da acção social e dos costumes »[85]. No elenco dos campos onde se manifestam os efeitos perniciosos do pecado, há muito tempo que se acrescentou também o da economia. Temos uma prova evidente disto mesmo nos dias que correm. Primeiro, a convicção de ser auto-suficiente e de conseguir eliminar o mal presente na história apenas com a própria acção induziu o homem a identificar a felicidade e a salvação com formas imanentes de bem-estar material e de acção social. Depois, a convicção da exigência de autonomia para a economia, que não deve aceitar « influências » de carácter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos económicos até mesmo de forma destrutiva. Com o passar do tempo, estas convicções levaram a sistemas económicos, sociais e políticos que espezinharam a liberdade da pessoa e dos corpos sociais e, por isso mesmo, não foram capazes de assegurar a justiça que prometiam. Deste modo, como afirmei na encíclica Spe salvi, elimina-se da história a esperança cristã, a qual, ao invés, constitui um poderoso recurso social ao serviço do desenvolvimento humano integral, procurado na liberdade e na justiça. A esperança encoraja a razão e dá-lhe a força para orientar a vontade. Já está presente na fé, pela qual aliás é suscitada. Dela se nutre a caridade na verdade e, ao mesmo tempo, manifesta-a. Sendo dom de Deus absolutamente gratuito, irrompe na nossa vida como algo não devido, que transcende qualquer norma de justiça. Por sua natureza, o dom ultrapassa o mérito; a sua regra é a excedência. Aquele precede-nos, na nossa própria alma, como sinal da presença de Deus em nós e das suas expectativas a nosso respeito. A verdade, que é dom tal como a caridade, é maior do que nós, conforme ensina Santo Agostinho. Também a verdade acerca de nós mesmos, da nossa consciência pessoal é-nos primariamente « dada »; com efeito, em qualquer processo cognoscitivo, a verdade não é produzida por nós, mas sempre encontrada ou, melhor, recebida. Tal como o amor, ela « não nasce da inteligência e da vontade, mas de certa forma impõe-se ao ser humano". "Caritas in veritate" Carta Encíclica, Bento XVI - LMC



Robin Sharma, 8 dicas para ser uma pessoa de sucesso.

 Robin Sharma é um dos mais conceituados líderes de pessoas de sucesso do mundo, tendo escrito “O Monge que vendeu o seu Ferrari”, um livro que eu aconselho vivamente a todos os que desejam ser pessoas de sucesso. Robin Sharma descreve os oito factores que no seu entender mais afectam e impulsionam qualquer pessoa que queira ser uma pessoa de sucesso. 

1º FOCO

As pessoas de sucesso estão sempre focadas nas coisas que tem de fazer ou partilhar, ou seja estão sempre focadas nos seus objectivos, a isso eu chamo a lei das conexões, as pessoas mais eficientes, mais produtivas fazem com que cada passo que dêem ou cada tarefa que executam esteja alinhada com os seus objectivos, para que cada actividade que completam os deixe mais perto do sitio onde pretendem estar no fim das suas vidas. O foco é realmente muito importante para viver uma vida melhor, foco foco foco foco, aprenda a dizer não ás coisas que não são muito importantes para aprender a dizer sim ás coisas que realmente contam.

2º SER POSITIVO E APAIXONADO

É realmente importante ser a pessoa mais positiva que conhece e estar realmente apaixonado pelo que está a tentar criar e pela vida que está a tentar viver, para que as outras pessoas sintam essa paixão, porque a paixão é fortemente contagiosa e quando se sente entusiasmado acerca dos seus objectivos ou as suas tarefas isso contagia outra pessoa que fica também entusiasmada.

3º TRABALHAR NO DURO

Pessoas de sucesso trabalham bastante, lembre-se da famosa frase “Quanto mais duro trabalho mais sorte eu tenho”, eu não conheço nenhum bom líder que não trabalhe bastante mais que as pessoas que o rodeia, trabalho árduo traz resultados fantásticos.

4º NUNCA PARE DE INOVAR

As pessoas de sucesso nunca param de inovar, estão sempre a procurar novas ideias, questionado sempre que podem as pessoas que os rodeiam sobre formas para melhorar o seu negócio, carreira, maneira de pensar, comunicação, saúde, vida familiar, nunca pare de inovar, nunca aceite o normal.

5º GESTÃO DE TEMPO

Pessoas de sucesso utilizam o seu tempo de forma inteligente, torne-se num mestre de gestão de tempo, o tempo é como pequenos grãos de areia que escorregam pelas suas mãos, o tempo que se perde nunca pode ser recuperado, por isso foque-se em fazer sempre o que realmente irá fazer a diferença.

6º DÊ MUITO VALOR

Para ser uma pessoa de sucesso terá de dar mais valor do que aquele que recebe, pessoas de sucesso questionam-se constantemente sobre como podem ajudar outros a alcançar os seu sonhos, como adicionar mais valor ao serviço que prestam aos seus clientes para elevar os seus negócios ou a maneira como eles fazem as coisas, de forma simples, quando ajuda outras pessoas a atingir os seus objectivos terá também a ajuda deles para atingir os seus objectivos.

7º FANTÁSTICAS CAPACIDADES DE RELACIONAMENTO

Outra das fantásticas capacidades das pessoas de sucesso é a sua capacidade de criar fortes relações de amizade com outras pessoas, os negócios são apenas jogos de relacionamentos, as pessoas gostam de fazer negócios com quem confiam, querem fazer negócios com pessoas que gostem, utilize algum do seu tempo a criar relações de amizade com outras pessoas, muito do seu sucesso será medido pela quantidade de relações humanas que conseguir criar.

8º DEVOÇÃO PELA EXCELÊNCIA

Por ultimo, as pessoas de sucesso querem ser os melhores naquilo que fazem, querem ter uma carreira brilhante e não apenas boa, querem ser simplesmente excelentes.
Juntamente com estes oito factores Robin Sharma aconselha a que siga três passos para melhorar os seus resultados, Consciencialização, Escolhas, Sucesso, procure estar sempre consciente das suas capacidades, limitações e das coisas que precisa para puder fazer boas escolhas que o transformam numa pessoa de sucesso. LMC
Textosde Dom Pedro V Portugal - 1837 // 1861; apropriados para os tempos de hoje... Para reflectir...



 "Os olhos já vão rompendo a nuvem de poeira que se tem levantado diante deles; e o povo algum dia declarar-se-á solenemente contra o escárnio que há 20 anos todos os governos em Portugal dele têm feito. E fatal e tremendo será esse desagravo. Ainda é tempo de remediá-lo, mas não há tempo a perder."

"Fomos grandes, e agora somos pequenos. Ainda não nos podemos acostumar a ser pequenos, e no meio da nossa miséria ainda queremos ostentar um luxo que provoca o escárnio. Desenganemo-nos, não vivamos de ilusões; olhemos para a realidade, e seja este o nosso ponto de partida." Fonte - Escritos d'El Rei D. Pedro V

"Se os governos quiserem hoje ser úteis à sociedade, se eles não quiserem adiantar a época do terrível cataclismo que espera um estado de coisas factício em que o dolo e imoralidade e o ludíbrio do povo ocupa uma parte tão considerável, eles terão que olhar mais pelo povo que padecia em silêncio sem se queixar porque já nem mesmo se sabe queixar." Fonte - Escritos d'El Rei D. Pedro V . LMC 

terça-feira, abril 15, 2014

AI...PORTUGAL!!! Que evolução?



"Fomos grandes, e agora somos pequenos. Ainda não nos podemos acostumar a ser pequenos, e no meio da nossa miséria ainda queremos ostentar um luxo que provoca o escárnio. Desenganemo-nos, não vivamos de ilusões; olhemos para a realidade, e seja este o nosso ponto de partida." 

Fonte - Escritos d'El Rei D. Pedro V

sexta-feira, abril 04, 2014



MENSAGEM DA PASCOA

A Páscoa é a festa da ressurreição de Cristo. Quando celebramos a Páscoa, significa que estamos celebrando a “Vida”. Quando celebramos a Páscoa deixamos morrer tudo o que há de menor em nós (os defeitos, as incompreensões, a falta de amor…) e deixamos ressurgir, ressuscitar tudo que temos de bom, de grandioso em nós.


Quando celebramos a Páscoa deixamos Cristo viver em nós, pois Jesus deu-nos a sua vida para que nos salvássemos… Ele amou-nos incondicionalmente e sacrificou-se por nós… Ele ensinou – nos que devemos amar a Deus sobre todas as coisas e principalmente uns aos outros, como a nós mesmos.

Ele demonstrou tanto amor, mas será que retribuímos este amor a Ele e aos nossos semelhantes? Então está é a hora de começarmos a cultivar o amor de Cristo, a aceitar o nosso semelhante, a cultivar a compreensão, a confiança. É a hora de começarmos a acreditar no outro, e sermos bondosos e pacientes, humildes, começarmos a perdoar de coração, e ter coragem de também pedir perdão!

É a hora de começarmos a alegrar-nos com a verdade, a desculpar as imperfeições, a crer, a fazer dias melhores, e principalmente promover a “Paz”. Então comecemos agora, juntos a celebrar a ressurreição de Cristo, porque foi para isso que Deus nos concedeu Seu Filho… LMC




SIGNIFICADO DE PÁSCOA

A definição de Páscoa é passagem, palavra de origem hebraica, pessach, a passagem do povo judeu pelo mar vermelho rumo a liberdade na terra prometida. 

Páscoa significa passagem. É a celebração mais importante da Igreja Cristã, onde se comemora a "Ressurreição de Jesus Cristo". 

 A Páscoa está inserida na Semana Santa, onde na "Sexta Feira Santa" é celebrada a crucificação de Jesus, e no "Domingo de Páscoa" se celebra a Ressurreição e sua primeira aparição para os seus discípulos.

 O "Domingo de Páscoa" acontece após a primeira lua cheia que ocorre no início da primavera, no hemisfério Norte. A Páscoa é uma festa móvel, varia o dia a cada ano, a data é sempre comemorada entre os dias 22 de março e 25 de abril.

sexta-feira, março 21, 2014



MENSAGEM DA QUARESMA
 O discípulo do Evangelho, cada um de nós, é chamado a levar a todos o anúncio libertador de que existe o perdão, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, de que estamos feitos para a comunhão e para a vida eterna.
Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O baptizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para Se colocar no meio do povo necessitado de perdão e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados.
Este foi o caminho que Jesus escolheu para nos consolar, salvar, libertar do nosso pecado. Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, salvação e felicidade é o Seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. (Cf Mensagem do Papa) É bom difundir a Alegria do Evangelho e experimentar os efeitos da Boa Nova de Jesus Cristo, que tudo fez por amor e alimenta a esperança dos irmãos. Na verdade, o amor torna-nos mais semelhantes, mais próximos, mais irmãos.

Proponho quatro compromissos para que possamos, percorrer esta Quaresma numa atitude e com efeitos concretos de conversão:
1. A primeira regra cristã é a AJUDA MÚTUA. Como cristãos temos como dever o mútuo acolhimento, a partilha de vida, a fraternidade. Procuremos os meios para que a nossa vida seja profecia de fraternidade, isto é, um lugar de doação e de comunhão real.
2. Uma outra regra é o DIÁLOGO. Promovamos antes a comunicação direta e real entre todos e só depois a comunicação digital e virtual e que estas não substituam sistematicamente aquelas.
3. O fundamento e a lógica da nossa vida só pode ser o SERVIÇO. Por esse motivo devemos colocar no primeiro lugar os mais necessitados, mais frágil na vida e na fé. Procuremos os meios para valorizar mais o exercício da caridade e da misericórdia do que defender a "verdade" teórica à qual por vezes se sacrificam as pessoas. O serviço aos irmãos é uma excelente manifestação do Reino de Deus.
4. A Quaresma é um tempo propício para nos privarmos de alguma coisa. E se essa privação nos libertar interiormente para sermos mais fiéis a Deus.
Não esqueçamos que o verdadeiro despojamento faz sofrer. Pensemos em Jesus Cristo despojado de suas vestes no monte  Calvário. É motivo de desconfiança a esmola que não custa nem dói, como diz o Papa.

Este tempo de Quaresma encontrar-nos vigilantes e solícitos para testemunhar a mensagem evangélica que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso sempre pronto a abraçar em Cristo toda os seus filhos.LMC

terça-feira, fevereiro 25, 2014


O Caminho da Salvação  

A cegueira e a obstinação dos homens lembra-me às vezes a cegueira e a obstinação das varejeiras enfrenizadas contra as vidraças. Bastava um momento de serenidade, dez-réis de bom senso, e em qualquer fresta estava a liberdade. Mas o demónio da mosca, quanto mais a impossibilidade se lhe põe diante, mais teima. O resultado é cair morta no peitoril. 
 
Não se pode fazer ideia da maravilha de criança que era a filha de um poeta de meia tigela que hoje me lia versos impossíveis, a empurrá-la enfastiado com a mão esquerda, quando ela graciosamente o interrompia. A canção enluarada, a quadra perfeita, o soneto verdadeiro que justificavam aquele homem estavam ali, a brilhar nos olhos da pequenita; e o desgraçado às turras à janela, a zumbir e a magoar-se, sem ver que tinha diante de si o verdadeiro caminho da salvação!
 

Miguel Torga, in "Diário (1943)" LMC

quinta-feira, fevereiro 06, 2014



MEDITANDO
Esperando a glória dos céus, os perseguidos experimentam já uma alegria íntima sobre a terra. É uma recompensa da graça divina. «Vêem o fruto do que as suas almas sofreram, diz-nos o profeta, e são assim saciados» (Is 53, 2).

É a alegria íntima do apostolado e o triunfo do sofrimento e do sacrifício: «O meu servo é justo e pelo ensino da sua doutrina tornará justo um grande número de homens…Dar-lhe-ei em partilha uma multidão de discípulos; vencerá os seus inimigos e partilhará os seus despojos» (Is 53, 11-12). Isto aplica-se ao Salvador e àqueles que propagam o seu reino.

A salvação das almas! Que recompensa consoladora pelas lágrimas derramadas, pelas fadigas suportadas, pelas perseguições sofridas e pelo ódio do mundo!...

Seguindo a Jesus, que levou a cruz com alegria, com os apóstolos e os mártires, que louvam a Deus nas perseguições, levemos generosamente a nossa cruz quotidiana. – O Coração de Jesus ama a cruz redentora: o meu coração esperou o opróbrio e a vergonha (Sl 68).

Amemos a nossa cruz de cada dia, o trabalho, a fadiga, a humildade, a obscuridade. Suportemos com uma doce paciência as incomodidades da vida comum e as provações que a Providência nos envia. (Leão Dehon, OSP 4, p. 61s.).


DIA MUNDIAL DA PAZ
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO

1º de janeiro, celebra-se o Dia Mundial da Paz. Segue, algumas ideias da primeira mensagem do papa Francisco para este dia e que aborda o tema "Fraternidade, fundamento e caminho para a paz.

1. Nesta minha primeira Mensagem para o Dia Mundial da Paz, desejo formular a todos, indivíduos e povos, votos duma vida repleta de alegria e esperança. Com efeito, no coração de cada homem e mulher, habita o anseio duma vida plena que contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar.
 Na realidade, a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e   complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor.
O número sempre crescente de ligações e comunicações que envolvem o nosso planeta torna mais palpável a consciência da unidade e partilha dum destino comum entre as nações da terra. Assim, nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros. Contudo, ainda hoje, esta vocação é muitas vezes contrastada e negada nos fatos, num mundo caracterizado pela «globalização da indiferença» que lentamente nos faz «habituar» ao sofrimento alheio, fechando-nos em nós mesmos.

«Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9)
 2. Para compreender melhor esta vocação do homem à fraternidade e para reconhecer de forma mais adequada os obstáculos que se interpõem à sua realização e identificar as vias para a superação dos mesmos, é fundamental deixar-se guiar pelo conhecimento do desígnio de Deus, tal como se apresenta de forma egrégia na Sagrada Escritura.
Segundo a narração das origens, todos os homens provêm dos mesmos pais, de Adão e Eva, casal criado por Deus à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1, 26), do qual nascem Caim e Abel. Na história desta família primogênia, lemos a origem da sociedade, a evolução das relações entre as pessoas e os povos.
A narração de Caim e Abel ensina que a humanidade traz inscrita em si mesma uma vocação à fraternidade, mas também a possibilidade dramática da sua traição. Disso mesmo dá testemunho o egoísmo diário, que está na base de muitas guerras e injustiças: na realidade, muitos homens e mulheres morrem pela mão de irmãos e irmãs que não sabem reconhecer-se como tais, isto é, como seres feitos para a reciprocidade, a comunhão e a doação.

«E vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8)
 3. Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?

Parafraseando as palavras do Senhor Jesus, poderemos sintetizar assim a resposta que Ele nos dá: dado que há um só Pai, que é Deus, vós sois todos irmãos (cf. Mt 23, 8-9). A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30). Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa.

A fraternidade, fundamento e caminho para a paz
 4. Suposto isto, é fácil compreender que a fraternidade é fundamento e caminho para a paz. As Encíclicas sociais dos meus Predecessores oferecem uma ajuda valiosa neste sentido. Basta ver as definições de paz da Populorum progressio, de Paulo VI, ou da Sollicitudo rei socialis, de João Paulo II. Da primeira, apreendemos que o desenvolvimento integral dos povos é o novo nome da paz[3] e, da segunda, que a paz é opus solidaritatis, fruto da solidariedade.[4]

A fraternidade, premissa para vencer a pobreza
 5. Na Caritas in veritate, o meu Predecessor lembrava ao mundo que uma causa importante da pobreza é a falta de fraternidade entre os povos e entre os homens.[11] Em muitas sociedades, sentimos uma profunda pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias; assistimos, preocupados, ao crescimento de diferentes tipos de carências, marginalização, solidão e de várias formas de dependência patológica. Uma tal pobreza só pode ser superada através da redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos presentes na vida das pessoas.
Além disso, se por um lado se verifica uma redução da pobreza absoluta, por outro não podemos deixar de reconhecer um grave aumento da pobreza relativa, isto é, de desigualdades entre pessoas e grupos que convivem numa região específica ou num determinado contexto histórico-cultural. Neste sentido, servem políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos «capitais», aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projeto de vida e possa desenvolver-se plenamente como pessoa.

A redescoberta da fraternidade na economia
 6. As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável. Já, em 1979, o Papa João Paulo II alertava para a existência de «um real e perceptível perigo de que, enquanto progride enormemente o domínio do homem sobre o mundo das coisas, ele perca os fios essenciais deste seu domínio e, de diversas maneiras, submeta a elas a sua humanidade, e ele próprio se torne objecto de multiforme manipulação, se bem que muitas vezes não diretamente perceptível; manipulação através de toda a organização da vida comunitária, mediante o sistema de produção e por meio de pressões dos meios de comunicação social».[14]

A fraternidade extingue a guerra
 7. Ao longo do ano que termina, muitos irmãos e irmãs nossos continuaram a viver a experiência dilacerante da guerra, que constitui uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade.
Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral. A todos aqueles que vivem em terras onde as armas impõem terror e destruição, asseguro a minha solidariedade pessoal e a de toda a Igreja. Esta última tem por missão levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror. De igual modo a Igreja levanta a sua voz para fazer chegar aos responsáveis o grito de dor desta humanidade atribulada e fazer cessar, juntamente com as hostilidades, todo o abuso e violação dos direitos fundamentais do homem.[15]

A corrupção e o crime organizado contrastam a fraternidade
 8. O horizonte da fraternidade apela ao crescimento em plenitude de todo o homem e mulher. As justas ambições duma pessoa, sobretudo se jovem, não devem ser frustradas nem lesadas; não se lhe deve roubar a esperança de podê-las realizar. A ambição, porém, não deve ser confundida com prevaricação; pelo contrário, é necessário competir na mútua estima (cf. Rm 12, 10). Mesmo nas disputas, que constituem um aspecto inevitável da vida, é preciso recordar-se sempre de que somos irmãos; por isso, é necessário educar e educar-se para não considerar o próximo como um inimigo nem um adversário a eliminar.

A fraternidade ajuda a guardar e cultivar a natureza
 9. A família humana recebeu, do Criador, um dom em comum: a natureza. A visão cristã da criação apresenta um juízo positivo sobre a licitude das intervenções na natureza para dela tirar benefício, contanto que se atue responsavelmente, isto é, reconhecendo aquela «gramática» que está inscrita nela e utilizando, com sabedoria, os recursos para proveito de todos, respeitando a beleza, a finalidade e a utilidade dos diferentes seres vivos e a sua função no ecossistema. Em suma, a natureza está à nossa disposição, mas somos chamados a administrá-la responsavelmente. Em vez disso, muitas vezes deixamo-nos guiar pela ganância, pela soberba de dominar, possuir, manipular, desfrutar; não guardamos a natureza, não a respeitamos, nem a consideramos como um dom gratuito de que devemos cuidar e colocar ao serviço dos irmãos, incluindo as gerações futuras.