quarta-feira, setembro 19, 2012


SABER ESCUTAR…

Estamos cada vez a tornar-nos mais surdos fisicamente por causa dos ruídos que existem à nossa volta. Não há muito tempo, fizeram uma pesquisa sobre os lugares mais barulhentos e os mais silenciosos em  Lisboa.   
Um dos lugares mais silenciosos, mas não muito, era o cemitério dos Prazeres. Pode parecer piada dizer que o cemitério é lugar tranquilo; mortos não falam, não brigam, não fazem greve e nem reivindicam salários mais justos. Mas, os que visitam os cemitérios encarregam-se de falar, também, no lugar deles, e os carros que passam perto não estão preocupados com o sono dos mortos.
Mas, não é desse silêncio que quero falar e, sim, da capacidade da "escuta". Necessitamos que alguém nos escute nos momentos de dificuldade, que acolha o nosso grito de dor ou o nosso grito de vitória e de alegria. Não podemos guardar dentro de nós a força que se agita. Porém, vivemos numa época em que escutar é perda de tempo. Temos tantas outras coisas para fazer, para dizer, que não podemos permitir-nos o luxo de parar e abrir os ouvidos a quem precisa de nós.

Hoje há cada vez mais a procura de pessoas que ouçam, que escutem e esta procura é levada pela necessidade de desabafar os problemas as angustias. Para isso, procuram-se especialistas para o efeito. Os consultórios psicológicos e psiquiátricos abrem-se em cada esquina. Aliás,  trabalho que parece que não vai faltar no mercado é o de quem se preocupa em escutar os que sofrem, embora, nem sempre por amor,  mas por dinheiro.
Todos nós necessitamos, em determinados momentos, de alguém que nos acolha amorosamente e nos escute em profundidade. Deus é o Deus da arte de saber escutar e acolher a todos os que o procuram, em todos os momentos, sem hora marcada, sem agenda, sem nada. A qualquer hora do dia e da noite ele está sempre pronto para nos escutar.

Saber redescobrir Deus como amigo, terapeuta, psicólogo e psiquiatra das nossas almas é o caminho mais belo do ser humano. Claro que isso não significa, de jeito nenhum, desprezar os que exercem o ministério da escuta e das ciências.

Os sacerdotes, entre todos os escutadores, têm este ministério por excelência. Eles escolheram escutar e escutar sempre. Eles são chamados a serem os mediadores entre Deus e nós. Entre nós e Deus está o sacerdote com seu ministério, sua oração e seu amor. É o momento precioso para cada um de nós deixarmos de lado tantas coisas e voltarmos a viver, a viver bem e a viver com tranquilidade, não nos fecharmos no escritório, de manhã até a tarde, preocupados só com o dinheiro. O dinheiro ajuda a viver, mas não é vida.
Não podemos ser escravos, somos pessoas relacionais. Os pais devem aprender, novamente, a ter tempo para escutar os filhos colocando-se a par do que aconteceu durante o dia, participar activamente da vida escolar, das brincadeiras. A vida é interagir e entrar no coração dos outros, na medida em que o outro nos abre a porta.


O mesmo Deus quer entrar em nós, bate à porta do nosso coração e espera que nós lhe abramos para poder fazer comunhão com cada um de nós. É urgente saber a hora de re-aprender a escutar pelo menos três pessoas.

1. Saber escutar a si mesmo: os próprios sonhos e ideias, o que nós queremos ser na nossa vida, o que desejamos e como estamos a lutar para que tudo isto se faça realidade. É preciso saber partir, com muita consciência, da nossa realidade, avaliar as nossas forças e capacidades, não querer ser mais do que podemos ser e de que temos capacidade.
2. Saber escutar aos outros: vivemos numa sociedade de relacionamento. Ninguém pode fugir da sociedade e retirar-se para um lugar mais deserto sem precisar dos outros. Ninguém pode prover-se sozinho, sempre precisaremos dos outros, da convivência, do trabalho e da vida dos irmãos para um interagir que complete as pessoas que convivem connosco. É bonito descobrir que somos pobres. Quanta ajuda recebemos constantemente dos outros? O que seríamos sem os demais? Isto nos leva a uma atitude de escuta profunda dos que

caminham connosco.
3.Escutar a Deus: Deus tem um projecto para nós, mas ele não o leva ao cumprimento sem a nossa ajuda. Quer que nos desinstalemos do nosso comodismo e cooperemos com os outros e com o próprio Deus na realização do seu projecto. Somente quando nós entramos nessa dinâmica da escuta é que a vida se faz mais bela, mais bonita e mais atraente.

Quem escuta somente a si mesmo, ou só aos outros ou, também, somente a Deus, sem que haja uma reciprocidade, uma troca, não poderá alcançar a plenitude da vida.

Uma escuta serena e tranquila que, através da comunhão e do amor, nos torna, a todos, responsáveis pelo nosso futuro, dos outros e do Reino de Deus.
 
"Escuta Israel! O Senhor, nosso Deus, é o Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu ser, com todas as tuas forças" (Dt 6,4-5). LMC



 


 


 





A Vida é...
A vida é uma oportunidade, aproveita-a.
A vida é beleza, admira-a.
A vida é beatificação, saboreia.
A vida é sonho, torna-o realidade.
A vida é um desafio, enfrenta-o.
A vida é um dever, cumpre-o.
A vida é um jogo, joga-o.
A vida é preciosa, cuida-a.
A vida é riqueza, conserva-a.
A vida é amor, goza-a.
A vida é um mistério, desvela-o.
A vida é promessa, cumpre-a.
A vida é tristeza, supera-a.
A vida é um hino, canta-o.
A vida é um combate, aceita-o.
A vida é tragédia, domina-a.
A vida é aventura, afronta-a.
A vida é felicidade, merece-a.
A vida é a VIDA, defende-a. LMC

quarta-feira, julho 25, 2012


Uma mudança virá!!!

Há um velho amigo, que uma vez disse
algo que tocou o meu coração!
Eu nasci num rio, numa pequena barraca, e assim como o rio estive a correr desde sempre. Disse que um longo tempo está para vir, mas ele sabe a sua mudança virá, oh sim. Se virá!
Ele disse-me que estava a ser dificil viver, mas não tem medo de morrer, porque acredita poder viver para além do céu.
Eu fui, eu fui ver o meu irmão e perguntei-lhe, "Irmão
Poderias ajudar-me, por favor ?"Ele disse, "Eu adoraria, mas não posso!"
E quando, quando olhei ao redor, eu estava no chão com os meus joelhos curvados.
Houve tempos que pensei que eu não duraria muito, mas de algum modo agora
acredito que estou pronto, pronto para continuar a lutar.
Digo-te que tem sido uma longa jornada e dificil, mas eu sei, que minha mudança virá.
Algumas vezes tive que chorar toda a noite, sim eu chorei  algumas vezes.
Tive que trocar o certo pelo que sabia que era errado,
sim, tem sido dificil ultrapassar a jornada, mas eu acredito, acredito que  esta noite a minha mudança virá, porque o sonho mantém a realidade viva. LMC

segunda-feira, julho 16, 2012


Viver  e aprender!

Na vida temos muitas surpresas, boas, ruins, inesperadas... Temos que estar preparados para reagir a cada uma delas. Chora se necessário, ri, faz caretas, pula, dança, canta, corre, vive. Não tenhas medo de Viver e ser feliz!

Existem momentos na vida, que podem parecer tontos, doidos, que possam parecer comuns para ti, mas um dia podes olhar pra traz e dizer: esse foi o dia mais feliz de minha vida. "até agora". Por isso, aprecia cada momento na vida, como se fosse único, e especial, com uma pessoa especial.

Não busques a felicidade muito longe, ela pode estar mais perto do que possas imaginar! Tenta apenas ser feliz, faz o que tens de fazer e não te importes com o que os outros possam dizer de ti, porém, tenta não dizer nada sobre os outros. Não faças ao outro aquilo que não gostarias que te fizessem a ti.

sexta-feira, junho 08, 2012


Como renovar a vida hoje!

 Vivemos em um mundo de cobranças, onde todos exigem o balançar do barco, mas ninguém se dispõe a pegar o remo. Um mundo onde a individualidade prevalece e a comunidade é só um meio de atender aos anseios, necessidades e desejos do corpo. Claro que temos o direito a nossa individualidade. Todavia, ele fica em segundo plano quando direcionada ao casamento, à familia, ao grupo ou comunidade a qual estou, estamos inseridos. Quando Cristo teve de escolher entre Ele e o mundo, Ele escolheu o mundo. 

Quem vai contrariar o Mestre dos mestres? Foi Ele quem disse: "Ama a Deus sobre todas as coisas e ama ao teu próximo como a ti mesmo" (Lucas 10:27) e "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos" (Jo 13:15). Sábias palavras.

Nada vai mudar, a menos que eu, tu, nós mudemos primeiro. E esta ocorrerá na mesma proporção da nossa própria mudança. As pessoas não são más. Elas são egoistas, centralizadoras. Estão mais preocupadas com o seu próprio bem estar do que com um bem maior. As suas dores, as suas necessidades e o seu sofrimento de alguma forma, são sempre maiores e mais intensos.

As suas conclusões e a sua forma de ver o mundo são inquestionáveis e o seu descaso com o impacto gerado através das suas atitudes é frequente. Isso pode ser compreensível para crianças, entretanto, fica mal visto para pessoas que se dizem adultas. Pessoas que pregam a sua liberdade, mas não são capazes de lavar a própria roupa. As mesmas que passam dos limites reivindicando o direito de fazer o que bem entender e não conseguem ao menos suprir com as suas próprias necessidades. 

Sendo assim, nada vai mudar enquanto vivermos como modelo padrão, acreditando que estamos no caminho certo e o universo inteiro está a conspirar contra os nossos ideais. Está na hora de baixar o volume do telemóvel, de parar no passeio da rua, de pedir licença, de esperar, dedicar-se ao outro. Talvez o mundo mude. É, ele muda sim. Mas quem vai mudar o mundo? Se não podes mudar o mundo inteiro, tenta mudar o teu mundo. LMC

quarta-feira, abril 18, 2012


Como vejo o mundo – Albert Einstein

Einstein trata dos problemas fundamentais do ser humano – nos campos social, político, econômico e cultural – e torna clara sua posição diante deles: a de um sábio radicalmente consciente de que, sem a liberdade de ser e agir, o homem, por mais que conheça e possua, não é nada.
Ele sonhava com um mundo mais acessível a todos e não acreditava na liberdade, acreditava que estavam condicionados a pressões externas ou a crenças internas. O sentido da vida é viver, como julgar o homem, através do grau que ele se libertou do EU. Riquezas, o dinheiro só tem valor se for usado para o bem da humanidade e quem tem este dom são pessoas excepcionais com idéias generosas, fora disto o dinheiro polui tudo e degrada a pessoa humana, educação em um pensamento livre, devemos ensinar os homens não só uma especialidade, pois estaríamos transformando-o em um cão ensinado, devemos ensinar o senso prático do que vale a pena, daquilo que é belo e moralmente correto. A paz deve ser preconizada entre as nações, mas isto não acontece devido os avanços tecnológicos, paz agora significa sobrevivência, Einsten dizia que o homem jamais barraria a ciência, pois, esta sempre encontra caminho, idéias e descobertas impõem-se para um progresso harmonioso, até que interesses políticos interfiram nesta harmonia, esta ação causa um desastre.
Ele acreditava que a descoberta da bomba atômica não era mais importante que a descoberta do fósforo, o perigo esta em acionar, por isso acreditava nas pessoas no sentido de barrar esta ação a qualquer custo, Einsten condenava a Alemanha, por não ter liberdade política, tolerância e igualdade, isto o levou a mudar de país foi para América.
A concepção Judaica: Direito à vida para todas as criaturas, para ele a torá e o Talmude, representam o testemunho mais importante da ideologia Judaica nos tempos antigos de sua história. Acreditava que as pesquisas passava por momentos distintos e prolongados: Intuição, cegueira, exaltação e febre, culminando mais tarde com a alegria da descoberta.LMC

segunda-feira, abril 09, 2012


O Agir Humano

O homem não vive sozinho, pois, como ser humano, coexiste com seus hábitos, costumes, tradições, sonhos, trabalhos, dentro de uma ordem moral, onde os seus actos, desde que visem o bem, são tidos como éticos.

Logo, todos os seus actos devem alicerçar-se em actos éticos, com princípios que a fundamente para que possa exteriorizar o seu comportamento moral (moral efetiva) num comportamento moral ético (moral reflexiva), que é absolutamente necessário para que a ética se sustente e melhore a convivência social.

É assim que a ética acaba por se dar através de tantos pequenos e firmes costumes que são as vigas mestras internas para melhoria da educação, sem esquecermos a ética e a moral, ou seja, os hábitos e as leis que governam nosso dia-a-dia em todos os sentidos e campo de actuação do homem.

Mas, actualmente, a palavra moral é considerada normalmente sinônimo de ética. Todavia, analisando com mais atenção, podemos fazer uma distinção muito útil, sobretudo, para tempos críticos como este que estamos a passar, onde a ética é a moral reflexiva e em forma de ação.

Contudo, á ética não é um movimento apenas intelectual, mas um impulso quase intuitivo e profundamente orientado por questões de sobrevivência a longo prazo, já que diante das novas realidades, o ser humano encontra a ética não mais como uma realidade ideal, em que ele tem desafios e obstáculos nas relações que mantém, passando a agir eticamente nas situações comuns da vida para uma melhor socialização.

Falar de ética sempre nos vem à reflexão sobre a educação que é, também, uma possibilidade e um impulso à transformação e desenvolvimento das potencialidades dos educandos e educadores, já que a educação é uma ação interativa e faz-se mediante informações, comunicação e diálogo entre seres humanos.

Uma educação pode ser eficiente enquanto processo formativo e, ao mesmo tempo, eticamente má, como foi a educação nazista e terrorista, por exemplo. Pode ser boa do ponto de vista da moral vigente e má do ponto de vista ético (agir).

Desta forma, a educação ética acontece quando os valores no conteúdo e no exercício do ato de educar são valores humanos e humanizadores, em que a igualdade, a justiça, a dignidade da pessoa, a democracia, a solidariedade, o desenvolvimento integral de cada um e de todos é respeitado e garantido de forma plena e eficaz para a formação de uma sociedade mais equilibrada e justa. LMC

segunda-feira, abril 02, 2012


A verdadeira origem da Páscoa!

Não tem nada a ver com ovos nem coelhos. Sua origem remonta os tempos do Velho Testamento, por ocasião do êxodo do povo de Israel da terra do Egito. A Bíblia relata o acontecimento no capítulo 12 do livro do Êxodo. Faraó, o rei do Egito, não queria deixar o povo de Israel sair, então muitas pragas vieram sobre ele e seu povo. A décima praga porém, foi fatal : a matança dos primogênitos - o filho mais velho seria morto. Segundo as instruções Divinas, cada família hebréia, no dia 14 de Nisã, deveria sacrificar um cordeiro e espargir o seu sangue nos umbrais das portas de sua casa. Este era o sinal, para que o mensageiro de Deus, não atingisse esta casa com a décima praga. A carne do cordeiro, deveria ser comida juntamente com pão não fermentado e ervas amargas, preparando o povo para a saída do Egito. Segundo a narrativa Bíblica, à meia-noite todos os primogênitos egípcios, inclusive o primogênito do Faraó foram mortos. Então Faraó, permitiu que o povo de Israel fosse embora, com medo de que todos os egípcios fossem mortos.

A chamada páscoa cristã, foi estabelecida no Concílio de Nicéia, no ano de 325 de nossa era. Ao adotar a Páscoa como uma de suas festas, a Igreja Católica, inspirou-se primeiramente em motivos judaicos: a passagem pelo mar Vermelho, a viagem pelo deserto rumo a terra prometida, retirando a peregrinação ao Céu, o maná que exemplifica a Eucaristia, e muitos outros ritos, que aos poucos vão desaparecendo.

Jesus instituiu uma cerimônia memorial, a ceia, em substituição à comemoração festiva da páscoa. I Coríntios 11:24 a 26 relata o seguinte:

Jesus tomou o pão, "e tendo dado graças o partiu e disse: Isto é o meu corpo que á dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no Meu sangue, fazei isto todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do senhor, até que ele venha."

Jesus foi claro "Fazei isto em memória de mim." Ele exemplificou tudo o que deve ser feito. E se queremos ser salvos, precisamos seguir o que Jesus ensina e não outras tradições ou ensinamentos. Mateus 15:9 adverte: "Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens."

sexta-feira, março 30, 2012


PARA ONDE CAMINHAMOS?

A ciência moderna, de tendência evolucionista, indica o caminho da evolução física e mental do ser humano. Indiscutivelmente, os fatos comprovam que houve transformações aolongo do processo evolutivo. Nessa abordagem, a realidade humana é entendida como um fato físico. Ciências como a Paleontologia e a Arqueologia demonstram indícios e evidências de evolução na superfície terrestre. Alguns crentes ortodoxos perdem noites de sono com mais uma nova descoberta científica. É o velho embate entre ciência materialista e religião dogmática. Nos dias de hoje, entretanto, a ciência vem buscando, paulatinamente, uma compreensão holística da realidade, isto é, com um enfoque integral, em que a visão intuitiva é fundamental para a solução da pergunta: de onde viemos? Alguns representantes da ciência integral, como Albert Einstein, Victor Frankl e Carl Gustav Jung, entre outros, enfatizam o aspecto unitário do Universo, em todas as suas transformações cósmicas e potencialidades humanas. De acordo com esta abordagem, o ser humano não apenas caminhou pelas sendas da evolução, mas vem de uma fonte comum. Isto indica que, além de um fato, ocorre um fator de ordem metafísica em todo esse prolongado trajeto de mudanças. Surge por isso a possibilidadede um diálogo profícuo entre ciência, filosofia e religião, uma vez que as tradições religiosas ancestrais já apresentavam a existência de um Ser ordenador de todas em coisas, presente em tudo. A religião denomina-o Deus ou Causa Universal. Desse modo, nascem outras abordagens de ciência, num composto orgânico com a filosofia e a religião. É o que nos faz perceber a leitura da obra do pensador francês PierreTeilhard de Chardin, intitulada “O Fenômeno Humano”. Em páginas de lúcida abordagem científica e filosófica, o autor demonstra a natureza integral do ser humano, passando este por várias alterações, que se iniciam na evolução biológica (biogênese), continuam na esfera intelectiva (noogênese), e por fim caminham para a culminância da realidade integral do processo evolutivo, o “ponto ômega”, na expressão de Chardin, que corresponde ao Eu-consciente, tendo o Cristo como modelo (Cristogênese). O homem cósmico inicia assim o processo de complementação à sua intelectualidade, alterando a relação estabelecida entre consciência e mundo, isto é, com a natureza, com os seus semelhantes e consigo mesmo. Antes, com o modelo advindo da ciência moderna, sujeito conhecedor, objeto conhecido; agora,amparado pelo espírito da ciência integral, um ser em processo evolutivo em busca de harmonia com os demais seres vivos no Cosmos. Assim, com o predomínio de um modelo de ciência mecanicista e operativa, iniciada com a Revolução Científica no século XVII, com os trabalhos de Francis Bacon e René Descartes, o modo das relações humanas levou o planeta ao momento de tormentos em que vivemos atualmente. A visão fragmentada de ser humano, decompondo-o em partes menores pela análise científica, acarretou a perda do sentido pleno da existência. Chegamos a esse estado de coisas a partir do momento em que privilegiamos a ciência como técnica e a natureza como objeto de subjugação. O planeta Terra deixou de ser um composto integrado de relações, passando ao domínio do sistema de medida e precisão da ciência, com o objetivo de medir resultados concretos e aplicáveis.A produção de tecnologia impôs mudanças jamais vistas no planeta, trazendo muitos benefícios de ordem prática, como a comunicação e a melhoria das condições de vida.. Mas, com a consolidação do modo de produção capitalista, a partir da segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial, grande parte da sociedade ficou à margem desses benefícios. O desdobramento da técnica, em sua aplicação imediata, privilegiou uma visão do mundo empobrecida e geradora de exclusão social, uma vez que hipertrofiou o lucro e o consumo como únicos modelos de convivência e habitação no planeta.. Faz-se necessária, diante disso, uma mudança na ordem das coisas. Precisamos partir imediatamente para um novo modelo de relações, em que o ser humano deve ser compreendido como uma “parte integrante do Universo”. A Terra deve ser habitável não apenas para os humanos, mas a todos os seres vivos. O paradigma civilizatório que nos trouxe até aqui está dado ao fracasso, pois não estende os seus olhos para a alteridade, e o seu enlace de paixão e responsabilidade ética. A frieza do capitalismo gera privilégios e descarta a ética como fundamento das relações políticas. O materialismo ateísta esgota os recursos naturais pela lógica do mercado. Na velocidade das máquinas, a utilidade de algo é medida pela sua capacidade produtiva.Devemos repensar o nosso tratamento com a Mãe Terra. É chegado o momento de não mais impor uma condição de domínio, mas um enamoramento de gracejo recíproco. Se quisermos sobreviver na jornada do tempo, deveremos abrir os ouvidos para a dança cósmica dos astros, na sua harmonia de órbitas celestes. O planeta será habitável se houver um sistema de cooperação ecológica entre os humanos e a Natureza. Daqui parte a escolha que nos envolve a todos, nos proclama a todos: salvemo-nos pelo cuidado, antes que tenhamos apenas um breve período de sobrevivência global, e já sejam tarde demais os remorsos e os lamentos. LMC