terça-feira, janeiro 08, 2013



OS VALORES DA VIDA EM SOCIEDADE

Os valores não surgem na vida em sociedade como um trovão no céu. São construídos na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas escolas, nas manifestações culturais, nos movimentos e organizações locais. Conhecê-los, compreendê-los e praticá-los é uma questão fundamental da sociedade atual. A luta por um mundo melhor, por uma civilização mais humana, mais democrática e mais justa tem sido, historicamente, construída pelo homem. Atualmente, os governos, as organizações não-governamentais e os cidadãos do mundo lutam pela equidade. O que é a equidade? É uma forma de praticar a Justiça, isto é, o respeito à igualdade de direito de cada um, que independentemente do que está escrito nos códigos jurídicos, esta no ADN de cada ser humano por direito.

 No século 21, a sociedade civil e política quer que todos pratiquem a equidade como expressão de um sentimento do que se considera justo, que seja expressa em forma de virtude de quem ou do que manifesta senso de justiça, imparcialidade, respeito à igualdade de direitos dos homens. Por isso, na Filosofia, a ética é o ramo de estudos que cuida particularmente de investigar os princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano.

Ela reflete especialmente a respeito da essência das normas, valores, prescrições e exortações presentes em qualquer realidade social. Podemos observar que as ações humanas, em face de sentimentos, estímulos sociais ou de necessidades íntimas, requerem, para a boa convivência na vida social, bons costumes, boa conduta, segundo os preceitos socialmente estabelecidos pela sociedade. Uma pessoa, mesmo com as mais contundentes e sensíveis justificativas, em situação de privação material ou de fome, comete um crime ao roubar para alimentar-se. Roubar é um ato que fere a moral e os bons costumes.

Entre as diferentes ambiências humanas, a escola tem sido, historicamente, a instituição escolhida pelo Estado e pela família, como o melhor lugar para o ensino-aprendizagem dos valores, de modo a cumprir a finalidade do pleno desenvolvimento do educando, o seu preparo para o exercício da cidadania e a sua qualificação para o mundo do trabalho. Sem a prática de valores, não podemos nem falar em cidadania. Sendo assim, caberá às instituições de ensino a missão de ensinar valores no âmbito do desenvolvimento moral dos educandos. Através da seleção de conteúdos e metodologias que favoreçam temas transversais (Justiça, Solidariedade, Ética etc.), presentes em todas as matérias do currículo escolar, os valores podem ser conhecidos e aplicados na vida diária de cada pessoa.LMC



Visão do mundo Atual

A historia mostra-nos que a injustiça sempre esteve ao lado da sociedade, seja na época da escravidão, revolução industrial e no atual modelo capitalista globalizado. Sempre existiu uma hierarquia social, na qual alguns eram privilegiados, outros nem tanto e outros massacrados, dignos de pena.

Essa injustiça, acredito que é provocada pelo instinto mais animal e hostil do ser humano, aquele que o faz querer ser melhor que todos e expor/alimentar isso seja para si próprio ou para o próximo, o problema são as varias variações do ponto; “Ser o melhor”. Eu tento entender conceitos como; “Ter carros/roupas/mansões caras… dá-te status, poder e respeito”, mas sempre esbarro no mendigo do sinal ou na criança da rua agonizando de tanto cheirar cola. Não sou hipócrita de dizer que certos consumos não me fazem necessário ou que não gosto de dinheiro(claro que gosto), mas garanto que tudo que compro é para atender a uma necessidade minha que nada tem haver com status, poder e respeito.

A grande questão é que um novo modelo económico está a deixar de ser utopia e passa a ser necessidade, tempos atrás foi preciso muita destruição para que a mudanças desse porte acontecesse, espero que agora não seja necessário, quero me adequar o quanto antes. O mundo globalizado, o capitalismo a flor da pele e do bolso veio acompanhar o da desigualdade social, aumento da criminalidade, desconfiança económica e excesso de valorização das coisas fúteis, aquelas que dão o tão sonhado status, poder e respeito.

Penso diferente, penso que para respeitar alguém é preciso admira-ló, não pelo o que tem ou onde está, mas sim pelo que faz, ou seja, eu valorizo o ser e não o ter. Pensando nisso tudo e trazendo para o meu mundo do meu dia a dia, penso que apenas com uma conjuntura sócio-econômica participativa, colaborativa e transparente o mundo estará salvo e pronto para crescer como deve crescer, com uma base em conhecimento/sabedoria e não de matéria. LMC

segunda-feira, dezembro 03, 2012



O VERDADEIRO SIGNIFICADO DO NATAL

Luzes para todos os lados, árvores iluminadas, peru para a ceia, presente para amigos e familiares, nas portas da maioria das casas e apartamentos um bonito bonecozinho de barbas brancas com uma roupa vermelha, pessoas mais solidárias e fraternas, esses são alguns dos tantos itens que poderíamos listar aqui que compõem o Natal. Mas, mais do que as decorações e demais coisas que permeiam essa época, impressiona-me notar que a narrativa bíblica repete-se ano após ano. Mas, muitos nem sequer sabem o sentido verdadeiro do Natal. E por isso que precisamos de mostrar a todos, e principalmente às nossas crianças, que de nada adianta ter uma casa iluminada por fora se a Luz Maior e Verdadeira Jesus Cristo não iluminar as nossas famílias. Para mim, também são os gestos simbólicos que fazem do Natal uma época mágica. Mas não são os presentes, o consumismo nem a correrias das compras que o tornam mais feliz. Mas, sim e apenas Jesus de Nazaré e é por ele que em cada ano, encontramos-nos, diante deste acontecimento que nos comove. É a festa de Natal. É a chegada do Deus-Menino. É o Aniversário do Nascimento, de Nosso Senhor Jesus Cristo, nosso único Mediador e SALVADOR... É para que Jesus possa nascer de novo em cada um de nós, nas nossas famílias, nos nossos lares e na nossa comunidade de vida e de trabalho que celebramos o Natal. “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem”. (Lucas 2:6 e 7) Esta é tão só a única realidade que nos interessa anunciar, pois foi por nós, que ele veio ao mundo, viveu e morrer por nós e nos deu a salvação. Feliz Natal para todos…LMC

sexta-feira, novembro 30, 2012




                 
O Senhor está pra chegar,
já se cumpre a profecia;
o seu Reino então será liberdade e alegria.
E as nações, enfim, recebem, salvação a cada dia.  

DAS ALTURAS ORVALHEM OS CÉUS,
E DAS NUVENS, QUE CHOVA A JUSTIÇA,
QUE A TERRA SE ABRA AO AMOR
E GERMINE O DEUS SALVADOR!  (BIS)    
Vem de novo restaurar-nos. De que lado estará?
Indignado contra nós? E a vida, não darás?
Salvação e alegria, outra vez não trarás?  
Escutemos sua Palavra: é de paz que vai falar.
Paz ao povo e aos seus fiéis,
a quem dele se achegar.
Está perto a salvação e a alegria vai voltar. LMC

quarta-feira, novembro 21, 2012



A história actual da humanidade!
 Ver os telejornais ou escutar os noticiários é, com frequência, uma experiência que nos intranquiliza e que nos deprime. Os dramas dessa aldeia global que é o mundo entram em nossa casa, sentam-se à nossa mesa, apossam-se da nossa existência, perturbam a nossa tranquilidade, escurecem o nosso coração. A guerra, a opressão, a injustiça, a miséria, a escravidão, o egoísmo, a exploração, o desprezo pela dignidade do homem atingem-nos, mesmo quando acontecem a milhares de quilómetros do pequeno mundo onde nos movemos todos os dias. As sombras que marcam a história actual da humanidade tornam-se realidades próximas, tangíveis, que nos inquietam e nos desesperam. Feridos e humilhados, duvidamos de Deus, da sua bondade, do seu amor, da sua vontade de salvar o homem, das suas promessas de vida em plenitude. A Palavra que hoje nos é servida abre, contudo, a porta à esperança. Reafirma, uma vez mais, que Deus não abandona a humanidade e está determinado a transformar o mundo velho do egoísmo e do pecado num mundo novo de vida e de felicidade para todos os homens. A humanidade não caminha para o holocausto, para a destruição, para o sem sentido, para o nada; mas caminha ao encontro da vida plena, ao encontro desse mundo novo em que o homem, com a ajuda de Deus, alcançará a plenitude das suas possibilidades. Quem acredita convictamente de que Deus tem um projecto de vida para o mundo, têm de ser testemunhas da esperança. Eles não lêem a história actual da humanidade como um conjunto de dramas que apontam para um futuro sem saída; mas vêem os momentos de tensão e de luta que hoje marcam a vida dos homens e das sociedades como sinais de que o mundo velho irá ser transformado e renovado, até surgir um mundo novo e melhor. Para o cristão, não faz qualquer sentido deixar-se dominar pelo medo, pelo pessimismo, pelo desespero, por discursos negativos, por angústias a propósito do fim do mundo… Os nossos contemporâneos têm de ver em nós, não gente deprimida e assustada, mas gente a quem a fé dá uma visão optimista da vida e da história e que caminha, alegre e confiante, ao encontro desse mundo novo que Deus nos prometeu. É Deus, o Senhor da história, que irá fazer nascer um mundo novo; contudo, Ele conta com a nossa colaboração na concretização desse projecto. A religião não é ópio que adormece os homens e os impede de se comprometerem com a história… Os cristãos não podem ficar de braços cruzados à espera que o mundo novo caia do céu; mas são chamados a anunciar e a construir, com a sua vida, com as suas palavras, com os seus gestos, esse mundo que está nos projectos de Deus. Isso implica, antes de mais, um processo de conversão que nos leve a suprimir aquilo que, em nós e nos outros, é egoísmo, orgulho, prepotência, exploração, injustiça (mundo velho); isso implica, também, testemunhar em gestos concretos, os valores do mundo novo – a partilha, o serviço, o perdão, o amor, a fraternidade, a solidariedade, a paz. Que esta palavra agora e aqui deixada sirva para viveres melhor neste mundo, que é o nosso mundo, cheio de esperança, acredita nele, porque Deus acredita em ti…LMC

Teilhard de Chardin: “O progresso do Universo, e especialmente do Universo humano, não é uma concorrência feita a Deus, nem um esbanjar vão das energias que ele nos deu. Quanto mais o Homem for grande, tanto maior a Humanidade será unida, consciente e senhora da sua força, – quanto mais bela for a Criação, tanto mais a adoração será perfeita, tanto mais Cristo encontrará, para acrescentamentos místicos, um Corpo digno de ressurreição.”

terça-feira, outubro 30, 2012


A Vida em Sociedade Hoje!

Há duas tendências muito fortes no ser humano: uma para buscar a autonomia, a auto-suficiência, a independência; e outra para fazer parte e pertencer a uma unidade maior. Essa unidade maior pode ser definida como a família, a nação, uma ideologia, ou seja, um universo maior que tenha um significado importante. Dessa forma o indivíduo desenvolve-se, ultrapassa a sua individualidade e busca a integração com os outros.

 Para se desenvolver de forma equilibrada, a pessoa precisa comprometer-se, adaptar-se, ceder. Tudo isso não é muito fácil, pois sempre haverá conflitos entre o eu e o outro, entre o querer tudo para si e precisar fazer algo para o outro. A vida em sociedade fica mais fácil quando entendemos que dependemos uns dos outros para viver melhor, e que juntos somos mais fortes.

Os seres humanos não vivem juntos apenas por escolha, mas porque a vida em sociedade é uma necessidade. Se alguém, por livre vontade, se isolasse numa ilha, com todos os recursos para sobrevivência, em pouco tempo sentiria falta de companhia e sofreria com a solidão, por não ter com quem partilhar idéias, dar e receber afeto. Poderia até mesmo enlouquecer. Portanto, as pessoas satisfazem as suas próprias necessidades vivendo em sociedade. Quando a auto-estima - a visão que a pessoa tem de si mesma - é positiva, o relacionamento em sociedade torna-se mais fácil, mais saudável e mais satisfatório. O inverso também é verdadeiro, isto é, um bom relacionamento social alimenta a auto-estima positiva.

Para manter um bom relacionamento com as outras pessoas são necessárias algumas condições básicas: sermos autônomos, assertivos, confiantes e termos auto-estima elevada. Sem essas condições, atribuiremos aos outros a causa das dúvidas, fraquezas, incertezas e desconfianças que temos a respeito de nós mesmos.

Em sociedade o eu e o outro sempre se relacionam, e as necessidades sociais vão sendo estabelecidas. Elogiamos e somos elogiados; compreendemos e somos compreendidos; amamos e somos amados; vemos e somos vistos; valorizamos e somos valorizados. Até as frustrações são mútuas: rejeitamos e somos rejeitados; causamos dor no outro e ele em nós; discriminamos e somos discriminados. O certo é que para o bem e para o mal, querendo ou não, o outro é parte da nossa vida e a nossa vida é parte do outro.

Muitas pessoas queixam-se de que a sociedade define muitas regras e que sem elas a vida poderia ser melhor. A verdade é que cada um deve definir o seu limite, respeitar a sua individualidade e também a do outro. Aí surge a pergunta: isso também não é uma regra?


A necessidade de nos mantermos unidos a outros seres humanos não é um capricho ou um desejo individual, é uma questão de sobrevivência orientada pelo instinto e referendada pela razão. Aproveita para crescer, melhorar e aperfeiçoar-se como ser humano. Assim, estarás sempre motivado para praticar o bem e para o bem-estar de ti mesmo e de todos os que convivem contigo em sociedade. LMC

sexta-feira, outubro 19, 2012

EU E OS OUTROS



As outras pessoas são fontes permanentes de diferenças, mudanças e inconstâncias. Por isso, o convívio com os demais dentro do meio profissional, pode ser desgastante, quando não se respeita o fato de cada um ser único e, por tanto, pouco previsível aos olhos externos.  Cada pessoa faz as suas escolhas com base nas suas aprendizagens e a consequência disso é que os demais podem concordar com essas escolhas ou necessitarem de adaptação. Como cada pessoa costuma ter em mente um projeto diferente, as pessoas entram em conflito. E Satre sustentava a idéia de que: “o homem por si só não pode conhecer-se na sua totalidade, só através dos olhos de outras pessoas é que alguém consegue ver-se como parte do mundo. Sem a convivência, uma pessoa não pode perceber-se por inteiro. Só a convivência é capaz de nos dar a certeza de que estamos fazendo as escolhas que desejamos”.

Seguir o principio que não existe verdade absoluta e cada um está certo no seu ponto de vista, pode facilitar o convivio com os demais. Carlos Castaneda no seu livro Fogo Inteiro, define  os cinco atributos do guerreiro: controle, disciplina, paciência, oportunidade e vontade.

Uso esses 5 pontos como forma de convívio com as pessoas.

1- Controle: controle emocional, saber conhecer-se, respeitar os próprios limites, saber viver a vida como ela é e não como se imagina, fantasia.
2- Disciplina: para poder organizar e seguir um método de convívio, de mudança ou quebra de padrão na relação. Saber viver no agora e organizar-se para que a sua atenção esta com o foco no agora e na solução ao invés de estar perdido nos pensamentos passados ou que ainda estão por vir ou mesmo nos problemas e aborrecimentos.
3- Paciência: começando por ti mesmo e expando-te aos demais. As coisas tem um tempo para acontecerem, tanto mudanças internas quanto externas. Aceite e respeite.
4- Oportunidade: saber aproveitar as oportunidades de contato com as pessoas e usá-las da melhor maneira possível. Estar focado ajuda-nos a “enxergar” o obvio.
5- Vontade: de querer aprender, misturar-se e achar-se no contato com o outro. Usar essa energia que temos para poder seguir em frente.LMC




Certas relações no trabalho exigem uma dose a mais de paciência

 Saber lidar com as pessoas é uma arte. E justamente porque cada ser humano é único, é fácil perceber as diferenças entre cada um com grande facilidade. Se já compreender a nos mesmo nem sempre é fácil, imagina pensar sobre o próximo. A mente alheia é um grande mistério. A forma de agir e raciocinar é única e por isso a cada momento aprendemos a aprender a conviver.
        No dia a dia do nosso trabalho, muitas vezes, o contato com outros é mais do que importante, simplesmente é fundamental em muitos cargos. E as vezes, as relações tornam-se tão stressantes e cansativas que o sentimento de desgaste é inevitável. E, portanto, conviver com o outro passa a ser uma tarefa elaborada. Sobreviver aos relacionamentos problemáticos no trabalho faz com que os trabalhadores sejam considerados guerreiros, o que na verdade, era para ser algo simples e de pouca preocupação torna-se uma verdadeira batalha de sobrevivência. Criar uma estratégia de bem viver com o grupo é tambem saber eliminar e/ou dosear alguns itens como:
- vaidade
- querer ter sempre a razão
- brigar pelo melhor
- ignorar outra forma de pensar diferente da sua...Etc.
O outro é um grande desafio, que pode ser produtivo ou negativo.
“O inferno são os outros"

quarta-feira, setembro 19, 2012


SABER ESCUTAR…

Estamos cada vez a tornar-nos mais surdos fisicamente por causa dos ruídos que existem à nossa volta. Não há muito tempo, fizeram uma pesquisa sobre os lugares mais barulhentos e os mais silenciosos em  Lisboa.   
Um dos lugares mais silenciosos, mas não muito, era o cemitério dos Prazeres. Pode parecer piada dizer que o cemitério é lugar tranquilo; mortos não falam, não brigam, não fazem greve e nem reivindicam salários mais justos. Mas, os que visitam os cemitérios encarregam-se de falar, também, no lugar deles, e os carros que passam perto não estão preocupados com o sono dos mortos.
Mas, não é desse silêncio que quero falar e, sim, da capacidade da "escuta". Necessitamos que alguém nos escute nos momentos de dificuldade, que acolha o nosso grito de dor ou o nosso grito de vitória e de alegria. Não podemos guardar dentro de nós a força que se agita. Porém, vivemos numa época em que escutar é perda de tempo. Temos tantas outras coisas para fazer, para dizer, que não podemos permitir-nos o luxo de parar e abrir os ouvidos a quem precisa de nós.

Hoje há cada vez mais a procura de pessoas que ouçam, que escutem e esta procura é levada pela necessidade de desabafar os problemas as angustias. Para isso, procuram-se especialistas para o efeito. Os consultórios psicológicos e psiquiátricos abrem-se em cada esquina. Aliás,  trabalho que parece que não vai faltar no mercado é o de quem se preocupa em escutar os que sofrem, embora, nem sempre por amor,  mas por dinheiro.
Todos nós necessitamos, em determinados momentos, de alguém que nos acolha amorosamente e nos escute em profundidade. Deus é o Deus da arte de saber escutar e acolher a todos os que o procuram, em todos os momentos, sem hora marcada, sem agenda, sem nada. A qualquer hora do dia e da noite ele está sempre pronto para nos escutar.

Saber redescobrir Deus como amigo, terapeuta, psicólogo e psiquiatra das nossas almas é o caminho mais belo do ser humano. Claro que isso não significa, de jeito nenhum, desprezar os que exercem o ministério da escuta e das ciências.

Os sacerdotes, entre todos os escutadores, têm este ministério por excelência. Eles escolheram escutar e escutar sempre. Eles são chamados a serem os mediadores entre Deus e nós. Entre nós e Deus está o sacerdote com seu ministério, sua oração e seu amor. É o momento precioso para cada um de nós deixarmos de lado tantas coisas e voltarmos a viver, a viver bem e a viver com tranquilidade, não nos fecharmos no escritório, de manhã até a tarde, preocupados só com o dinheiro. O dinheiro ajuda a viver, mas não é vida.
Não podemos ser escravos, somos pessoas relacionais. Os pais devem aprender, novamente, a ter tempo para escutar os filhos colocando-se a par do que aconteceu durante o dia, participar activamente da vida escolar, das brincadeiras. A vida é interagir e entrar no coração dos outros, na medida em que o outro nos abre a porta.


O mesmo Deus quer entrar em nós, bate à porta do nosso coração e espera que nós lhe abramos para poder fazer comunhão com cada um de nós. É urgente saber a hora de re-aprender a escutar pelo menos três pessoas.

1. Saber escutar a si mesmo: os próprios sonhos e ideias, o que nós queremos ser na nossa vida, o que desejamos e como estamos a lutar para que tudo isto se faça realidade. É preciso saber partir, com muita consciência, da nossa realidade, avaliar as nossas forças e capacidades, não querer ser mais do que podemos ser e de que temos capacidade.
2. Saber escutar aos outros: vivemos numa sociedade de relacionamento. Ninguém pode fugir da sociedade e retirar-se para um lugar mais deserto sem precisar dos outros. Ninguém pode prover-se sozinho, sempre precisaremos dos outros, da convivência, do trabalho e da vida dos irmãos para um interagir que complete as pessoas que convivem connosco. É bonito descobrir que somos pobres. Quanta ajuda recebemos constantemente dos outros? O que seríamos sem os demais? Isto nos leva a uma atitude de escuta profunda dos que

caminham connosco.
3.Escutar a Deus: Deus tem um projecto para nós, mas ele não o leva ao cumprimento sem a nossa ajuda. Quer que nos desinstalemos do nosso comodismo e cooperemos com os outros e com o próprio Deus na realização do seu projecto. Somente quando nós entramos nessa dinâmica da escuta é que a vida se faz mais bela, mais bonita e mais atraente.

Quem escuta somente a si mesmo, ou só aos outros ou, também, somente a Deus, sem que haja uma reciprocidade, uma troca, não poderá alcançar a plenitude da vida.

Uma escuta serena e tranquila que, através da comunhão e do amor, nos torna, a todos, responsáveis pelo nosso futuro, dos outros e do Reino de Deus.
 
"Escuta Israel! O Senhor, nosso Deus, é o Senhor. Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu ser, com todas as tuas forças" (Dt 6,4-5). LMC